Em 2016, eu, psicóloga Danielle, havia acabado de me formar e já havia ingressado na vida clínica, coisa que jamais imaginaria fazer em meus anos de faculdade. Eu já havia dado as mãos a Psicologia Social e certamente era nessa área que atuaria…mas a vida acontece!

Quando digo que a vida acontece, digo que ela não tem manual, nem roteiros, muito menos ela se submete aos nossos desejos e vontades, a não ser é claro. Que façamos uma aliança com a vida. É assim que o acaso vem, se presentifica em nosso cotidiano e quando conseguimos dizer sim a vida…o acaso vem, mas não de qualquer jeito. Foi aí que a clínica veio. Grandes acontecimentos vieram de pequenos encontros.

Eu sonhei com um espaço em que eu pudesse mexer, remexer, criar e multiplicar, fazer dele um lugar de encontros, intenso, potente, vibrátil…assim tive a ideia de unir tudo isso num site e ir além…fazer do Quintal um agenciador de encontros alegres, um propagador de afetos potentes, um disseminador de  força…

Eu escolhi o nome pois tinha tudo a ver com o que eu me identificava. As quatro paredes, a rigidez, a cristalização de tudo, ou quase, me dava calafrios, então pensei no Quintal.

O quintal faz parte da casa, do conforto, do aconchego, da segurança mas está fora das quatro paredes, é um lugar aberto, que cria múltiplas potencialidades, é uma zona de interstício, um lugar que fica entre o dentro e o fora, um lugar sem lugar, móvel, nômade. É no quintal que as pessoas se reúnem muitas vezes para festejar, ou para ficar sozinhas. É lá onde se é dito aquilo que não se pode falar dentro de casa. É um espaço que suscita a conexão entre o mundo interno e externo. Que suscita um movimento peripatético, ou seja, ele faz parte da rua, ele vê a rua muitas vezes, ele faz a conexão com a vida do lado de fora.

O quintal representa o dentro-fora, uma mesma conexão, um nomadismo.

Por Psicóloga Danielle Rosa Nascimento, CRP 06/129898