Há anos acompanho as longas temporadas e peças do grupo de teatro a Cia Antropofágica, desta vez, uma ânsia toma ainda mais meu corpo e o motivo é que a ATP, diante de um cenário de desmantelamento da cultura, principalmente em São Paulo, se propôs a revisitar todo seu repertório de 15 anos de história! Se não um caso de loucura (rs), um caso de rebeldia  e efetuação de si mesmo no mundo. Um grupo de teatro pode o que, se não efetuar-se? Um grupo de teatro pode o que, se não fazer teatro?

Mesmo diante de tantos fronts a batalhar, peça por peça foi sendo apresentada e resistindo ao tempo, ao dinheiro, ao cansado, aos medos e histórias dos próprios atores, diretores e de todos aqueles que movimentam a cena teatral a Cia chega em sua derradeira. A ultima peça da Tram(a)ntropofágica se efetua, entra em cartaz em 15,16 e 17 de Setembro e propõe um movimento que rasga sua própria carne e expõe o ossário que estrutura a vida coletiva. A  Cia propõe colocar as vísceras ao avesso para que possamos sentir/existir o próprio processo de fazer arte, ser e viver em coletividade, rompendo com o individualismo que nos invade dia após dia através de afetos tristes.

O que eu gosto da Antropofágica é a coragem do guerreiro, de lutar, resistir, a duras penas, de colocar suas entranhas pra fora, explodir o palco com o cheiro do sangue e suor de todos que lutaram para se efetivar nessa peça. Eles parecem nos convidar ao banquete de seus próprios corpos artísticos. E quem puder se juntar ao jantar poderá ser atravessado, se afetar, se entranhar nessa experiência, engolir e quem sabe adquirir suas potências.

Esse é um convite e homenagem a Cia Antropofágica que resiste! Se a coragem só pode ser coragem através do corpo, o corpo da Antropofágica estará a disposição para degustação. Quem nos dera mais 15, 20, 30, (…) anos de antropofagia!

TEMPORADA OPUS XV

Sinopse.

Máquina de Memória dos quinze anos da Companhia Antropofágica, que desafia a história do grupo na busca por responder aos mecanismos históricos que determinam a própria possibilidade de qualquer existência coletiva. Uma engrenagem teatral projetada para expor suas próprias entranhas, desafiando o individualismo crescente. Como forma de resistência à realidade degradada, a peça crava uma fresta de liberdade entre as determinações objetivas do passado social e as escolhas subjetivas do indivíduo, tornando o espaço do palco em uma plataforma onírica em meio às tensões históricas do tempo presente.

Peça: Opus XVI
Datas e Horários:
15/09/17 – 20h00 e 23h00
16/09/17 – 15h00, 18h00 e 20h00
17/09/17 – 15h00, 18h00 e 20h00
Local: Espaço Pyndorama
Endereço: Rua Turiassú, 481 – Fundos
Informações: 11 38710373 / contato@antropofagica.com
Site: www.antropofagica.com
Preço: Gratuito

Fotos: Clayton Lima / Alan Siqueira